Você está aqui: Página Inicial > Notícias > Elenilce Mourão fala sobre a arte de restaurar

Notícias

Elenilce Mourão fala sobre a arte de restaurar

publicado: 23/01/2019 14h02 última modificação: 28/01/2019 15h43
Exibir carrossel de imagens Conservação e restauração de obras de arte

Conservação e restauração de obras de arte

Elenilce Soares Mourão, mestre em Museologia, é professora de Arte do Instituto Federal do Piauí (IFPI) no Campus Teresina Zona Sul, deste 2011, atuando em projetos integrados e sociais como oficinas de produção artística e artesanal.

Confira a paixão da professora Elenilce Soares Mourão que possui 25 anos de experiência na área de Patrimônio/Museologia/Conservação/Restauração com trabalhos realizados na Oficina de Restauração e Museu do Piauí.

1 - Quando começou a trabalhar com restauração?

O interesse pela área de conhecimento surgiu a partir de um minicurso de Iniciação à Conservação e Restauração de Obras de Arte, na Universidade Federal do Piauí (UFPI), em 1990, quando fazia a segunda habilitação do curso de Artes e Desenho. Logo me apaixonei pelo tema.

Conservação e restauração de obras de arte

2 - Como você chegou a realizar esse trabalho? O que motiva você? Por que você o escolheu?

Na época, já era servidora do Estado do Piauí, trabalhando no projeto Casa de Arte pela Fundação Cultural do Piauí - FUNDAC. Ao saber da existência da Oficina de Restauração, solicitei minha transferência para lá onde permaneci até 2011 quando ingressei no Instituto Federal do Piauí (IFPI) como professora efetiva de Artes. Foram quase 20 anos de conhecimento e intervenção pela salvaguarda do Patrimônio de Bens Culturais Móveis.

Conservação e restauração de obras de arte

3 - Qual a maior dificuldade da restauração? E qual o melhor aspecto?

A maior dificuldade é a tarefa de conscientização, de fazer as pessoas entenderem o valor do patrimônio que têm em mãos e, em se tratando de bens públicos, o de fazer saber que é espólio de todos e que todos têm o dever de preservá-los.

Na verdade se trata de um conjunto de dificuldades que envolvem a preservação dos bens materiais de uma cultura, em um lugar onde praticamente não há investimento nessa área, como ter profissionais formados, atualizados, que atuem com ética, de um espaço montado de forma adequada para trabalhar com conservação e restauro, equipar, adquirir materiais permanentes e de consumo para procedimentos, em sua maioria importados, e manter uma cultura de atualização própria e formação para os públicos detentores de bens e usuários dos serviços, a começar essencialmente pela escola, lugar primeiro de preparação para a cidadania.

Conservação e restauração de obras de arte

4 - Quais trabalhos/projetos/cursos já foram realizados no IFPI?

No IFPI, dentro do Curso Técnico em Artes Visuais, que funcionou de 2000 a 2011, existiu uma disciplina de Conservação de Acervo, onde eram ministradas noções básicas e, em 2016, em parceria com o Mestrado Profissional em Arte, Patrimônio e Museologia da UFPI, ministrei dois cursos de 40 horas sobre Conservação e Restauro de bens culturais móveis, parceria do IFPI com a UFPI e o SESC Caixeiral Parnaíba.

Conservação e restauração de obras de arte

5 - Existem grupos ou profissionais específicos em Teresina que desenvolvem o trabalho de restauração? Em que locais?

Além de 3 profissionais da área, que não trabalham exclusivamente nessa área e se ocupam do ensino em arte/educação e museologia, a única equipe de profissionais capacitados para trabalhar com Restauração em Teresina, faz parte da Oficina de Restauração do Estado, na SECULT. Esta equipe existe há 30 anos e foi treinada por restauradora formada no CECOR da UFMG, o maior centro de restauração do Brasil.

Conservação e restauração de obras de arte

6 - O que você diria para alguém que está pensando em trabalhar com conservação e restauração de obras de arte?

Diria que é necessária a formação em Conservação e Restauro, inicialmente uma graduação, muito estudo, pesquisa e experiência com acervos diversificados para que haja uma percepção mais ampla das tipologias e problemas a serem enfrentados. É preciso ser paciente, pois a restauração passa pelo princípio da reversibilidade, ou seja, desfazer quantas vezes precisar um procedimento que não deu certo. Tem que ter disposição para viajar, para se atualizar, além de condições financeiras para investir em materiais e equipamentos para ter boas condições de trabalho.

É uma área de conhecimento que necessita urgentemente de profissionais, tanto graduados como técnicos para atuarem no Piauí, que vem enfrentando inúmeros problemas de conservação dos seus acervos. É preciso, além das pessoas, uma conscientização maior (e condições de trabalho) dos órgãos responsáveis pela salvaguarda do Patrimônio Cultural e Artístico do Estado. A exemplo do despreparo para a atividade, temos um caso recente de obra degradada e retirada de forma inapropriada no prédio da CEPISA/Eletrobrás, do grande Mestre Afrânio Pessoa Castelo Branco.