Você está aqui: Página Inicial > Área do Servidor > Entrevistas > Jurecir da Silva

Notícias

Jurecir da Silva

Professor do curso de Análises Clínicas do Campus Teresina Central
publicado: 26/10/2018 14h20 última modificação: 26/10/2018 16h20

“Do morro do querosene em Leopoldina-MG a servidor do Instituto Federal do Piauí. Com muito trabalho e persistência, depois de 23 anos exercendo a profissão de pintor, consegui me tornar professor federal”.

Confira a história de Jurecir da Silva, professor do curso de Análises Clínicas do Campus Teresina Central.

Que dificuldades você enfrentou no início da sua formação acadêmica?

Meu maior desafio foi voltar a estudar depois de 23 anos, pois havia abandonado os estudos após concluir a 5ª série do ensino fundamental (6º ano atualmente). Retornando em 2003, aos 35 anos de idade, concluí o primeiro grau no mesmo ano e o ensino médio em 2005. Em 2006, adentrei a faculdade com uma bolsa de 100% para cursar biomedicina.
Foi uma época dura demais; eu saía de casa às 6h da manhã para trabalhar. Do trabalho, me dirigia à faculdade e retornava ao meu lar por volta de 23h. Assistir aulas depois de uma exaustiva jornada de trabalho era difícil; dormia em muitas delas, mas nunca pensei em desistir. Eu tinha como lema esta citação: “Aquilo que persistimos em fazer torna-se mais fácil de realizar; não que a natureza da tarefa mude, mas nossa capacidade aumenta” (Heber J. Grant). 

Que atividades você exerceu no início da sua vida profissional?

Comecei a trabalhar aos 7 anos; fui engraxate de sapatos, vendedor de picolé, empacotador de pipocas doces, mecânico de bicicletas, servente de pedreiro e pintor imobiliário (profissão que exerci dos 22 aos 45 anos).

Da sua trajetória pessoal e profissional, que momentos marcantes você destaca?

Da minha vida pessoal, ter-me tornado um membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias aos 17 anos e, posteriormente, ter servido como um missionário de tempo integral por dois anos. Destaco também meu casamento, nascimento dos filhos e estar com minha família.
Profissionalmente, o dia da minha efetivação como professor do curso do IFPI é um marco em minha vida. Dormir na véspera foi impossível, o filme da minha vida repetiu-se várias vezes em minha mente.

Como foi que você ingressou na instituição?

Quando cheguei em Teresina em 2013, fui informado pelo Prof. Marcelo Ventura que havia um Curso Técnico em Análises Clínicas no Campus; fiquei, então, motivado pela possibilidade de um dia ingressar na instituição.
Nessa ocasião, eu levava meu filho para jogar basquete com o Prof. Sérvulo no Teresina Central. A cada vez que estava aguardando meu filho terminar o treino, eu sempre pensava: “Vou trabalhar aqui um dia!” Mas, nunca imaginei que iria acontecer tão rápido. No início de 2014, saiu o edital com diversas vagas efetivas para o IFPI e, dentre elas, 4 para a minha área. Fiz minha inscrição no primeiro dia. Mas, em março, saiu outro edital com uma vaga para professor temporário no Curso de Análises Clínicas, participei do seletivo e obtive êxito. Comecei a lecionar no dia 1º de abril.
No concurso para professor efetivo, fiquei em 8º lugar. Com essa posição, pensei que dificilmente seria chamado, mas a fila andou rápido. Alguns candidatos não assumiram e, em novembro de 2015, fui efetivado.

Destaque pontos importantes da sua vida acadêmica?

A conclusão da graduação em Biomedicina e cada pós-graduação são pontos importantes na minha jornada acadêmica. Mas os projetos de extensão que o IFPI me propicia realizar têm um valor especial para mim, pois levam a instituição até a comunidade e retornam à sociedade os frutos de nossas pesquisas, utilizando-as para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas.

Fale um pouco desses projetos de extensão.

Desde 2014 desenvolvemos um projeto no Campus Teresina Central de combate a parasitoses intestinais, contando com o apoio de empresários da cidade que doam os medicamentos e do Departamento de Auxílio Humanitário da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias que doou equipamentos para o laboratório e 1600 filtros de água. Nesse projeto, realizamos o diagnóstico das parasitoses intestinais, tratamos os indivíduos infectados e fornecemos orientações para o combate e prevenção dessas infecções. Até o momento, o projeto já atendeu mais de 1500 crianças e entregou 780 filtros nas comunidades.

O que o IFPI representa para você?

O IFPI representa muito para mim, é daqui que tenho o sustento de minha família. Mas não o considero apenas como o local de trabalho, ele é uma extensão do meu lar, tenho alegria ao vir para o trabalho e amo estar aqui.

Qual a participação da sua família nessa trajetória?

O apoio de minha família foi e é fundamental em minha jornada. Minha esposa sempre esteve ao meu lado, me incentivando e fortalecendo nas derrotas para que eu me reerguesse e desse a volta por cima. Meus filhos são a minha inspiração! Durante a faculdade, eles foram os que mais sofreram porque sempre me aguardavam chegar em casa. Apesar de brincarmos, dançarmos e fazermos outras atividades, isso ficou restrito aos fins de semana e feriados. Em toda a minha trajetória, só lamento o tempo que não pude estar com minha família.
Minha família é meu estímulo e minha força. Vou fazer 24 anos de casado com minha amada Helonise, temos um casal de filhos: Nadine com 22 anos e o Mateus com 19. Enfrentamos os desafios comuns a todas as famílias, mas acreditamos que, com amor e parceria, podemos “fazer do nosso lar um pequeno pedaço do céu na Terra”.